A dentadura fica frouxa ou começa a machucar porque o osso e a gengiva que a sustentam mudam de forma com os anos, enquanto a prótese continua igual. O adesivo pode dar firmeza por algumas horas, mas não corrige essa diferença. Quem resolve é o dentista, que examina a boca e a prótese e indica o caminho: ajuste, reembasamento, uma prótese nova ou, em alguns casos, implantes para prender a dentadura.
Muita gente convive anos com a dentadura solta, mastigando só do lado que dá, evitando carne e pão, e usando mais e mais adesivo. Outras pessoas tentam apertar a prótese em casa ou mandam fazer reparos fora do consultório. Este texto explica por que a folga aparece, o que cada solução faz e quais sinais pedem consulta logo.
Está pensando em implante ou precisa ajustar a prótese?
Agendar avaliaçãoPor que a dentadura perde a firmeza com o tempo
Depois que os dentes são extraídos, o osso que os segurava, chamado rebordo, vai sendo reabsorvido. Essa reabsorção é mais intensa nos primeiros meses depois das extrações e continua, de forma mais lenta, pelo resto da vida. A gengiva acompanha esse osso. A dentadura, feita de resina acrílica, não muda. Com o tempo, sobra um espaço entre a prótese e a gengiva, e é esse espaço que faz a dentadura balançar, entrar comida por baixo e machucar.
Outros fatores somam:
- Desgaste dos dentes da prótese: os dentes de resina se desgastam e a mordida muda, o que desequilibra a dentadura na mastigação.
- Perda de peso importante: pode mudar o volume da gengiva e das bochechas.
- Prótese de baixo: a dentadura inferior tem menos área de apoio e a língua a movimenta, por isso costuma soltar mais que a de cima.
- Uso dia e noite: dormir sempre com a prótese deixa a gengiva sem descanso e favorece inflamação.
Exemplo prático: uma senhora de 68 anos usa a mesma dentadura há muitos anos. No começo ela ficava firme; hoje, ao falar, a prótese de baixo levanta e ela passou a evitar comer fora de casa. No exame, o rebordo inferior está bem mais baixo do que quando a prótese foi feita, e os dentes de resina estão gastos.
O que o adesivo resolve e o que ele não resolve
O adesivo de dentadura é um produto legítimo e pode ser útil. Uma revisão da literatura publicada na General Dentistry em 2012 concluiu que os adesivos aumentam a retenção e a função das próteses totais, e apontou a necessidade de orientação sobre como aplicar e remover o produto e de retorno regular ao dentista.
O limite do adesivo é que ele preenche o espaço, mas não muda a forma da prótese. Quando a dentadura está muito desadaptada, a pessoa precisa de quantidades cada vez maiores, a prótese continua balançando e a gengiva pode continuar machucando por baixo. Nesse ponto, o adesivo esconde o problema em vez de resolver.
Sinais de que o adesivo deixou de ser suficiente:
- a quantidade usada aumentou muito com o tempo;
- a dentadura solta mesmo com adesivo ao falar ou mastigar;
- surgiram feridas, manchas vermelhas ou aumento de volume na gengiva;
- a pessoa sente dor ao mastigar e passou a evitar alimentos.
Reembasar, ajustar ou fazer uma prótese nova
Cada situação tem uma solução diferente, e por isso a avaliação vem antes da escolha.
| Situação | O que o dentista pode indicar |
|---|---|
| Ponto de pressão que causa ferida, prótese ainda adaptada | Ajuste: desgaste localizado da resina onde a prótese aperta |
| Prótese folgada, mas com dentes e base em bom estado | Reembasamento: nova camada de resina na parte interna, moldada sobre a gengiva atual |
| Dentes de resina muito gastos, mordida alterada, base com fratura ou muitos reparos | Prótese nova, com nova moldagem e novo registro da mordida |
| Dentadura de baixo que solta mesmo bem feita, pela pouca área de apoio | Prótese apoiada em implantes, removível ou fixa, quando o osso e a saúde permitem |
O reembasamento é a conduta descrita na literatura para a perda de retenção causada pela reabsorção do rebordo. Ele pode ser feito no próprio consultório ou em laboratório, conforme o caso. Já a prótese nova se torna o caminho quando o problema não está só na base, mas também nos dentes da prótese e na mordida.
Os tipos de prótese, da removível à fixa, e quando cada uma é indicada estão explicados na página de prótese dentária em Curitibanos.
Exemplo prático: um senhor de 72 anos procura a clínica porque a dentadura de cima “cai” quando ele ri. O exame mostra a base em bom estado e os dentes pouco gastos. O dentista indica o reembasamento e orienta tirar a prótese para dormir e higienizá-la todos os dias.
Quando a dentadura machuca: sinais que pedem consulta
A prótese mal adaptada pode causar mais do que desconforto. Na literatura, a estomatite protética, uma inflamação da mucosa debaixo da dentadura, é uma das doenças mais comuns em quem usa prótese removível. Ela está ligada à prótese desadaptada, à higiene da prótese, ao uso contínuo, inclusive à noite, e ao fungo Candida, que forma um biofilme na resina.
Procure o dentista se perceber:
- vermelhidão na área coberta pela prótese, principalmente no céu da boca;
- feridas que aparecem sempre no mesmo lugar;
- aumento de volume ou “dobras” de gengiva na borda da dentadura;
- ardência ou rachaduras nos cantos da boca;
- qualquer ferida na boca que não cicatriza.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta que feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias sejam examinadas por um profissional. Quem usa prótese deve ter esse cuidado redobrado, porque a ferida causada por pressão pode ser confundida com outros problemas, e só o exame diferencia.
Exemplo prático: um homem de 64 anos notou uma “dobra” de gengiva na borda da dentadura de baixo, que não dói e por isso foi deixada de lado. No exame, a borda da prótese, apoiada sempre no mesmo ponto, provocou um aumento de volume da gengiva. O dentista ajusta a borda, indica uma prótese nova e acompanha a regressão da lesão; se ela não regredir, a lesão é examinada com mais atenção.
Quando um paciente me diz que “a dentadura sempre machucou um pouco”, eu explico que isso não é normal. A prótese precisa ser revisada como qualquer outro tratamento, e a gengiva debaixo dela também precisa ser examinada.
Dr. Rafael Alexandre Ruaro, CRO-SC 12901
Cuidados no dia a dia e caminho pelo SUS
Alguns cuidados ajudam a prótese e a gengiva a durarem mais:
- tirar a dentadura para dormir e deixá-la limpa, guardada conforme a orientação do dentista;
- escovar a prótese todos os dias com escova própria, por dentro e por fora, e escovar também a gengiva e a língua;
- remover todo o adesivo da prótese e da boca no fim do dia;
- não tentar ajustar, lixar ou colar a prótese em casa;
- fazer revisões periódicas mesmo sem queixa.
Quem não pode pagar uma prótese particular tem o caminho pela rede pública. O programa Brasil Sorridente, do Ministério da Saúde, mantém os Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD), que confeccionam próteses totais e parciais para os municípios credenciados. O acesso começa pela unidade de saúde do bairro, e a oferta e o tempo de espera variam de cidade para cidade. A Secretaria Municipal de Saúde informa como funciona em cada município.
Perguntas frequentes sobre dentadura frouxa
Tem como consertar dentadura frouxa?
Na maioria dos casos, sim. O dentista avalia se basta um ajuste, se o reembasamento resolve ou se é hora de uma prótese nova. Quando a dentadura de baixo continua solta mesmo bem adaptada, implantes podem ser uma opção para prendê-la.
Como apertar uma dentadura folgada em casa?
Não é indicado tentar apertar, aquecer ou modificar a prótese em casa: isso pode deformar a resina e machucar a gengiva. O adesivo ajuda por um tempo, mas a correção da folga é feita no consultório.
Posso dormir com a dentadura?
A orientação mais comum é tirar a prótese para dormir. O uso contínuo, dia e noite, está entre os fatores ligados à inflamação da gengiva debaixo da dentadura.
Quanto tempo dura uma dentadura?
Não existe um prazo fixo, porque depende do osso, do uso e dos cuidados. O que define a troca é o exame: dentes gastos, mordida alterada e base desadaptada que não se corrige com reembasamento indicam que a prótese chegou ao fim.
Se a sua dentadura está frouxa ou machucando, a avaliação mostra o que está acontecendo com a gengiva e com a prótese. A Especialite atende na Rua Lages, 270, no Centro de Curitibanos, de segunda a sexta das 08h às 20h, sem fechar no almoço, e aos sábados das 08h às 12h. Fale com a clínica pelo WhatsApp para agendar a sua avaliação.


